Paola Matos e Bianca Obino fazem noite brasileira no Sons da Cidade

Duas artistas de estilos distintos, em performances de grande expressividade, foram as atrações do mês de outubro no projeto Sons da Cidade. Bianca Obino e Paola Matos dominaram, cada uma à sua maneira, o palco do Teatro Renascença, na noite de terça-feira (28), em uma noite dedicada à música brasileira.

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Bianca Obino

Ritmos e sutilezas permearam a apresentação de Bianca, que entrou em cena sem acompanhamento para apresentar os temas do álbum Artesã. A compositora cantou com delicadeza e tocou seus violões – um de cordas de nylon, outro de 12 cordas – com personalidade, muitas vezes enfatizando o aspecto percussivo dos instrumentos. A artista intercalou as canções com relatos sobre as andanças recentes em países como Inglaterra e Austrália – que inspiraram músicas como Mind the Gap e Do Outro Lado do Mundo, também presentes no repertório.

Paola Matos, Diogo Matos, Daniel Fortes e Sandro Bonato

Paola Matos, Diogo Matos, Daniel Fortes e Sandro Bonato

Depois do intervalo, a atmosfera intimista do acústico deu lugar à eletricidade do show de Paola, que dividiu o palco com a afiada banda formada pelo irmão Diogo Matos (teclados) e por Daniel Fortes (baixo) e Sandro Bonato (bateria). O trio instrumental esbanjou entrosamento, na medida certa para a grande intensidade das interpretações da cantora. Impecável, Paola alternou canções de seu disco Brasileirice com clássicos do repertório de Elis Regina e temas de Gonzaguinha – um deles, Sangrando, foi um dos pontos mais altos do roteiro, com a intérprete fazendo total justiça à raça e à emoção cantadas na letra. Os aplausos, como também tinham sido ao final do show de Bianca, foram calorosos.

O Sons da Cidade volta ao Teatro Renascença em 25 de novembro, com a cantora Vanessa Longoni e o sambista Eduardo Pitta.

Texto e fotos: Luís Bissigo

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República do Rock vai do acústico ao elétrico com 50 Tons de Blues e Jimi Joe

Mil tons sonoros, do blues acústico ao rock elétrico, permearam a edição de outubro do projeto República do Rock, terça-feira à noite, no Teatro Renascença. O percurso musical da noite começou com o espetáculo 50 Tons de Blues e culminou com as canções eletrificadas de Jimi Joe.

Capitaneado pelo violonista Renato Velho, premiado com o Açorianos de Música 2013 na categoria Intérprete Instrumental, o show 50 Tons de Blues celebrou as origens rurais de um gênero que inspirou diretamente várias vertentes roqueiras.

50 Tons de Blues. Da E para a D: Jonatã, Manéco, Toyo e Renato

50 Tons de Blues. Da E para a D: Jonatã, Manéco, Toyo e Renato

Para lembrar temas de nomes como Robert Johnson e Willie Brown, Velho teve a companhia de Manéco Rocha (com sua curiosa percussão de dedais, vassourinhas e tábua de lavar roupa) e de Jonatã Edinger (tocando uma espécie de banjo mais grave, construído pelo próprio Renato especialmente para gravar o disco 50 Tons de Blues). O gaitista Toyo Bagoso também participou do show, acrescentando ainda mais cores à receita blueseira do trio.

Carlos Magno (E), Gustavo Chaise (no alto) e Jimi Joe (à frente) no palco do Renascença

Carlos Magno (E), Gustavo Chaise (no alto) e Jimi Joe (à frente) no palco do Renascença

Na segunda parte, Jimi Joe apostou em uma performance direta e intensa, tocando sua guitarra de 12 cordas acompanhado de Gustavo Chaise (baixo) e Carlos Magno (bateria). O repertório teve novidades – como a canção O Que Dizer, dedicada à mulher do compositor, Juliana – e também músicas bem conhecidas, como Sandina, Fecha Um e Adeus às Ilusões. Houve também uma canja de Bebeto Alves e King Jim – com quem Jimi forma o grupo Los 3 Plantados.

Na linha de frente: Jimi, Bebeto e King Jim

Na linha de frente: Jimi, Bebeto e King Jim

O show, que teve oportunas citações a músicas de Rolling Stones e Led Zeppelin, terminou com uma releitura de Rain, dos Beatles – uma das mais belas e menos badaladas canções do quarteto de Liverpool.

Texto e fotos: Luís Bissigo

Paulinho Parada e Grupo Mas Bah! lembram Lupi no Sons da Cidade

O repertório e a alma boêmia de Lupicínio Rodrigues estiveram presentes na edição especial do projeto Sons da Cidade em homenagem ao centenário de nascimento do compositor. O espetáculo, realizado terça-feira, no Teatro Renascença, teve as ótimas performances do músico Paulinho Parada e do Grupo Mas Bah!, que trouxeram novas interpretações para a obra de Lupi e tiveram boa receptividade da numerosa plateia presente.

 

Paulinho Parada e grupo. Foto: Carla Balbinot

Paulinho Parada e grupo. Foto: Carla Balbinot

 

Coube a Paulinho Parada e seu grupo dar início à homenagem, com uma versão emocionada para a clássica Esses Moços. No show, em que a delicadeza da sonoridade do chorinho foi a tônica, Paulinho iria reler outras canções de Lupi, como Loucura e Nervos de Aço, intercaladas com algumas de suas composições próprias. Algumas delas, como Choro Cantiga Tu Vais Cair, evidenciaram que a poética lupiciniana de amores, paixões e desilusões segue muito influente na música popular.

 

Grupo Mas Bah!. Foto: Carla Balbinot

Grupo Mas Bah!. Foto: Carla Balbinot

 

A segunda parte da noite foi mais festiva, com o cuidadoso trabalho vocal e instrumental do Grupo Mas Bah!. O quinteto combinou sonoridades urbanas e regionais, revisitando com desenvoltura e carisma canções conhecidas, como Os Homens de PretoSolo le Pido a Dios e Vira Virou. O tributo a Lupicínio veio na sequência de Felicidade, Se Acaso Você Chegasse e Cevando o Amargo – as duas primeiras, em formato indiscutivelmente acústico, sem microfones ou amplificação.

Tudo terminou em clima de celebração, com todos os músicos da noite reunidos no palco para cantar Felicidade em ritmo de choro, samba e euforia. Uma noite para orgulhar Lupi e seus admiradores.

 

O final da noite, com os dois grupos reunidos no palco. Foto: Carla Balbinot

O final da noite, com os dois grupos reunidos no palco. Foto: Carla Balbinot