Subtropicais e Renascentes mostram riqueza sonora no República do Rock

Já houve, na música brasileira, um período em que os rótulos “rock” e “MPB” se aplicavam a estilos e artistas bastante diferentes, quase antagônicos. Bandas como Subtropicais e Renascentes – que fizeram ótimos shows na edição de maio do projeto República do Rock, na última terça-feira – existem para provar que essa distinção rígida pertence ao passado, e que a criação musical vai além de formalidades, fronteiras ou etiquetas.

Os Renascentes começaram a noite com impacto visual: antes do show, foi projetado no fundo do palco do Teatro Renascença o clipe da canção Raiar. A curiosidade é que muitas das crianças que participaram da produção do clipe foram ao teatro, com suas famílias, para assistir ao show – possivelmente o maior público infantil da história do República do Rock. Durante a performance de João Ortácio (guitarra e voz), Átila Viana (baixo e voz) e Dionísio Monteiro (bateria e MPC), com os convidados Rodrigo Trujillo (teclados), Matheus Morlin (guitarras e percussão) e Eduardo Morlin (flauta, violão e percussão), as projeções continuaram, com ilustrações de Ricardo Pirecco, autor do projeto gráfico do CD de estreia da banda.

Renascentes

Os Renascentes, com a arte de Pirecco ao fundo

Na vez dos Subtropicais, foi confirmada a ênfase na diversidade musical já evidenciada no show anterior. Alexandre Marques (voz, violão e guitarra), João Ortácio (voz e guitarra, com novo figurino para sua segunda performance na noite), Marcelo Brack (percussão) e Diego Berquó (bateria), com Thiago Cavalheiro (contrabaixo) e Leonardo Boff (teclado), mostraram canções do disco Produto da Modernidade – um repertório que abre espaço para o lirismo e para a riqueza melódica, temperada com elementos de reggae, funk, samba, música latina e regionalismo gaúcho, entre outros ingredientes. Uma receita de liberdade musical que as duas bandas da noite executaram com energia e competência.

Subtropicais

Subtropicais: suingue e poesia

E a próxima edição do República do Rock promete manter essa dinâmica. No dia 23 de junho, estarão no Renascença os grupos Bataclã FC e Bombo Larai, também afeitos às mesclas sonoras. Até lá!

Texto e fotos: Luís Bissigo

Música Menor e Leo Aprato mesclam idiomas e estilos no Sons da Cidade

Sons de muitas cidades passaram pelo palco do Teatro Renascença na noite de terça-feira (5/5), com os shows do projeto Música Menor – dos músicos Omar Giammarco e Arthur de Faria – e do compositor Leo Aprato. Foi a segunda edição do Sons da Cidade em 2015, temperada com musicalidades urbanas e interioranas de diferentes sotaques.

Leo Aprato e sua banda

Leo Aprato e sua banda

Nascido em Rosário do Sul e radicado em Porto Alegre, Leo Aprato deu início à sequência de shows mostrando seu trabalho autoral – expresso nas canções do EP Minha Confusão e em composições inéditas. Entre voz e violões, Leo contou com um time de músicos de grande criatividade – Lorenzo Flach (guitarra), Poty Burch (baixo), Mauricião (piano e teclado) e Guilherme Geyer (bateria) – e com um repertório influenciado por diferentes vertentes, do reggae ao blues. Canções mais líricas e contemplativas, como Orgasmo e Vento Frio, foram alguns dos destaques.

Arthur de Faria, Fernando Pezão, Omar Giammarco e André Paz no palco

Arthur de Faria, Fernando Pezão, Omar Giammarco e André Paz no palco

Depois do intervalo, a noite musical ganhou sotaque espanhol, com a parceria do porto-alegrense Arthur de Faria e do portenho Omar Giammarco. As canções do projeto Música Menor, a ser lançadas em disco em setembro pela Loop Discos, levam a assinatura dos dois compositores e instrumentistas – que se alternam entre letras, melodias, idiomas e gêneros musicais com muita naturalidade. Ao vivo, com as participações de André Paz (baixo) e Fernando Pezão (bateria e piano), Omar e Arthur foram do bom humor (Maracatu) à delicadeza (Sobre a Terra, bela canção de harmonia aparentada com a de Estrela, Estrela, de Vitor Ramil), fechando a rica noite musical com a marcante e autoexplicativa Esta Canción.

A próxima edição do Sons da Cidade está prevista para 2 de junho, com shows de Antonio Villeroy e Saulo Fietz.

Fotos: Carla Balbinot

Texto: Luís Bissigo